— O Mundo com certeza já sabe. Quando começou, as pessoas que tinham internet mandaram seu recado. Quem tinha telefone, telefonou. Quem pode fugir, fugiu.

Eduardo, em “Os Estranhos”, de José Geraldo Gouvêa

(Solarium Vol.1 – Página 120 – 5º Parágrafo)


Mais uma vitória da FC nacional

{ Posted on 00:48 by Emanoel Ferreira }


Já é novembro. O penúltimo mês do ano. 2009 foi mais um calendário de lutas, fracassos e vitórias. Concluímos projetos, desmanchamos outros mais, desanimamos e reanimamo-nos. É a vida e a sina que ela carrega consigo.


Uma das principais preocupações, quando se fala em mercado editorial brasileiro, é o insucesso de autores nacionais no que diz respeito à Ficção Científica. Alguns apontam a ausência de uma veia própria, abrasileirada, repleta de peculiaridades ainda não exploradas por autores estrangeiros como o principal fato de estarmos no ponto-morto. Mas falar do assunto, e nesses termos, é vago e insatisfatório.


Quando comecei essa coluna, numa visão geral e impessoal do ano de 2009, tinha em mente que, apesar das semelhanças, esse foi um ano diferente dos anteriores. Foi um ano de desafios. No Reveillon passado, entre fogos e champanhes baratos, publicar em papel era um sonho distante para mim. E para uma dezena de outros autores iniciantes. Já na passagem para 2010, poderei olhar para trás e ver dois trabalhos publicados. E uma dezena de outros autores fará o mesmo. Um ano diferente.


A Editora Multifoco, para contrariar aqueles que nada mais fazem do que criticar autores nacionais, lançou um selo de coletâneas voltado para Literatura de Entretenimento, seja ela produzida por veteranos ou iniciantes. Nascia o selo Anthology. O livro de estreia foi o volume 1 da série “Solarium – Contos de Ficção Científica”. Sim, caríssimo(a): Ficção Científica. O livro, dentro do esperado, foi um sucesso absoluto. Tiragens esgotadas e autores pedindo novas consignações. Resultado: hoje, sete meses após, o selo já lançou seis outras coletâneas.


E a máquina não para. Ontem, 14 de novembro de 2009, foi lançado o segundo volume da série. Que chorem os que torceram contra, repensem os que hesitam em crer na FC nacional e se juntem a nós os que desejam fazer parte da vitória que, aos poucos, se desenha. Que se escreve. Hoje, com orgulho e satisfação, 25 autores brasileiros integram mais essa conquista. Sem pagar para publicar. Com dignidade, respeitando e sendo respeitada, a FC nacional galga os caminhos do sucesso. Não com críticas já decoradas de cor e salteado, e que provaram nada acrescentar, mas com luta. Não com receio, mas com desafio.


Ainda estamos engatinhando. Lentos, quase inertes. Quase. E isso já é um grande começo.




Emanoel Ferreira

emanoelferreira@ymail.com

Sobre robôs e outras criaturas

{ Posted on 08:04 by Ronaldo Luiz Souza }
Escrevi este texto há bastante tempo, logo depois de assistir ao terceiro filme da trilogia Matrix. Como fã de ficção científica, eu esperava muito mais da história. Achei o primeiro filme genial e inovador, mas as continuações fizeram declinar a fantasia e o entusiasmo. Àqueles que discordarem do texto, fica a visão de apenas um fã decepcionado, e o caminho aberto para que também façam o seu relato e nos apresente sua visão do filme, da história e do mundo.
 
 
Matrix: A estória que não soube ser contada
 
Sim, também seguimos o coelho branco e engolimos a pílula da verdade.
Em clima de mistério regado a filosofia, religião e alta tecnologia, fomos transportados para um outro universo de ficção científica que nos fascinou tanto quanto o primeiro filme de Guerra nas Estrelas nos idos da década de 70. Basta conferir as bilheterias.
 
Mas, após tanto mistério e suspense, onde chegamos? Após tanta expectativa, onde nos encontramos?
 
Em breve retrospectiva ao leitor, fã e amante de ficção científica, vale lembrar que o mito da criatura construída pelo homem e que escapa ao seu poder nasceu com Mary Shelley em Frankestein. A partir daí surgiram adaptações como, por exemplo, em “O Médico e o Monstro” , ou as belíssimas estórias de Isaac Asimov sobre robôs, e em especial as sobre robôs-como-ameaça.
O homem sempre desejou recriar a si mesmo. O fato é que os robôs sempre nos fascinaram, e sempre estivemos dispostos a conhecer mais sobre eles e tentar criá-los à nossa imagem e semelhança. E nestas suas estórias, Asimov nos mostra que apesar de suas leis da robótica, a humanidade poderia ser destruída ou prejudicada por tais robôs.
Matrix beira este conceito. Ao final da trilogia descobrimos que estamos diante de uma civilização de máquinas-Frankestein, que se formaram dos primeiros robôs construídos pela humanidade e que se revoltaram contra ela. Tais máquinas supostamente inteligentes, controlam um super-ultra-hiper software que ilude as mentes de toda uma humanidade escravizada física e mentalmente, enquanto suga sua energia. Esta civilização de máquinas-Frankestein além de ter escravizado seu criador, ainda guerreia contra os poucos remanescentes do homem ainda livres, representando talvez, o desejo da criatura no extermínio de todo o livre-arbítrio de seu criador.
No terceiro filme da trilogia, qualquer ente pensante pergunta-se: - Então é isto? O ser humano derrotado pela sua criatura continua sendo usado como pilha pelas máquinas? O que sobra da humanidade é apenas uma horda de revolucionários punks mal orientados? Nada mais resta ao homem que contentar-se à escravidão mental, moral e física de um mundo mecanicista? O homem, escravo de sua mente? De sua criação?
Mas o fã de Ficção Científica, surpreso e indignado, responde: - A anomalia não é o dejá-vu, a pausa e recomeço na matrix para modificar algo, a anomalia são as duas seqüências Matrix Reloaded e Matrix Revolutions. O fim de Matrix é o enterro de uma estória que não soube ser contada. De um universo fascinante e extremamente criativo como Matrix fizeram apenas seqüências de estonteantes efeitos especiais e visuais, sem imaginar um mínimo de estória e roteiro coerentes.
Não se trata apenas de imaginar um roteiro com happy end a la Hollywood, mas sim, um estória minimamente inteligente e tão fascinante como o próprio universo de Matrix.
Agora, na contra-mão da moral da estória, que lamentavelmente informa como a máxima dos Borgs em Jornada nas estrelas: “Resistir é inúti!” , vale lembrar os autores recentes de Física como Fritjof Capra que nos faz abandonar o cartesianismo cego e nos impulsiona a ver o mundo não como uma imensa máquina, mas um mundo em interação dinâmica entre seus vários seres e coisas; a vida, como uma teia de interrelações pessoais e entre organismos vivos. Quando penso no fim de Matrix, ah, que saudade que dá dos ecologistas e biólogos, aqueles seres de alma verdinha, antigos Et´s agora já miscigenados aos terráqueos comuns, antigos profetas de nosso apocalipse planetário.
 
Mas cabe lembrar finalmente, a despeito do ridículo final do filme Matrix,
 
Que a Vida é muito mais que um Sonho;
Que a humanidade é muito mais que uma coleção de mamíferos Homo Sapiens;
Que o mundo é muito mais vasto e fascinante que uma régua de cálculo.

Selo Anthology ganha Rede Social

{ Posted on 00:27 by Emanoel Ferreira }


O selo Anthology, responsável pelas coletâneas da Editora Multifoco, ganhou, neste 20 de setembro (domingo), uma rede social no Ning. Agora, co-autores, editores e leitores dos livros lançados pelo selo podem se encontrar num só lugar, onde poderão trocar ideias e compartilhar arquivos de mídia e textos, além de estarem por dentro de todos os processos de seleção das antologias.


O Ning é uma plataforma que permite que qualquer pessoa crie uma rede social e desenvolva-a de acordo com as suas ideias, necessidades e ambições. Cada integrante cria seu perfil em poucos, rápidos e simples passos, através do qual se comunicará com os demais.


Faça parte da rede “Anthology – Um selo da Editora Multifoco”! Clique aqui!




Emanoel Ferreira - emanoelferreira@ymail.com