Mais uma vitória da FC nacional
Já é novembro. O penúltimo mês do ano. 2009 foi mais um calendário de lutas, fracassos e vitórias. Concluímos projetos, desmanchamos outros mais, desanimamos e reanimamo-nos. É a vida e a sina que ela carrega consigo.
Uma das principais preocupações, quando se fala em mercado editorial brasileiro, é o insucesso de autores nacionais no que diz respeito à Ficção Científica. Alguns apontam a ausência de uma veia própria, abrasileirada, repleta de peculiaridades ainda não exploradas por autores estrangeiros como o principal fato de estarmos no ponto-morto. Mas falar do assunto, e nesses termos, é vago e insatisfatório.
Quando comecei essa coluna, numa visão geral e impessoal do ano de 2009, tinha em mente que, apesar das semelhanças, esse foi um ano diferente dos anteriores. Foi um ano de desafios. No Reveillon passado, entre fogos e champanhes baratos, publicar em papel era um sonho distante para mim. E para uma dezena de outros autores iniciantes. Já na passagem para 2010, poderei olhar para trás e ver dois trabalhos publicados. E uma dezena de outros autores fará o mesmo. Um ano diferente.
A Editora Multifoco, para contrariar aqueles que nada mais fazem do que criticar autores nacionais, lançou um selo de coletâneas voltado para Literatura de Entretenimento, seja ela produzida por veteranos ou iniciantes. Nascia o selo Anthology. O livro de estreia foi o volume 1 da série “Solarium – Contos de Ficção Científica”. Sim, caríssimo(a): Ficção Científica. O livro, dentro do esperado, foi um sucesso absoluto. Tiragens esgotadas e autores pedindo novas consignações. Resultado: hoje, sete meses após, o selo já lançou seis outras coletâneas.
E a máquina não para. Ontem, 14 de novembro de 2009, foi lançado o segundo volume da série. Que chorem os que torceram contra, repensem os que hesitam em crer na FC nacional e se juntem a nós os que desejam fazer parte da vitória que, aos poucos, se desenha. Que se escreve. Hoje, com orgulho e satisfação, 25 autores brasileiros integram mais essa conquista. Sem pagar para publicar. Com dignidade, respeitando e sendo respeitada, a FC nacional galga os caminhos do sucesso. Não com críticas já decoradas de cor e salteado, e que provaram nada acrescentar, mas com luta. Não com receio, mas com desafio.
Ainda estamos engatinhando. Lentos, quase inertes. Quase. E isso já é um grande começo.
Emanoel Ferreira
emanoelferreira@ymail.com
Em breve retrospectiva ao leitor, fã e amante de ficção científica, vale lembrar que o mito da criatura construída pelo homem e que escapa ao seu poder nasceu com Mary Shelley em Frankestein. A partir daí surgiram adaptações como, por exemplo, em “O Médico e o Monstro” , ou as belíssimas estórias de Isaac Asimov sobre robôs, e em especial as sobre robôs-como-ameaça.
Mas o fã de Ficção Científica, surpreso e indignado, responde: - A anomalia não é o dejá-vu, a pausa e recomeço na matrix para modificar algo, a anomalia são as duas seqüências 
